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Assinatura de estudo eterno: como os professores particulares te transformam em cliente vitalício

Spoiler: não haverá culpados

Aeroporto. Uma pessoa com seis anos de estudo de inglês está no balcão tentando explicar que sua mala foi parar em Dubai.

A pessoa tem certificado B1. Uma coleção de livros didáticos. Sequência de 312 dias no Zuolingo. Um professor particular que tem orgulho dela. A atendente espera. A pessoa sua. Na cabeça, gira “my luggage is… how to say… voo errado”. Vinte minutos depois, vai encontrar um funcionário que fala português.

Uma semana depois, escreve para o professor: “Vamos adicionar mais uma aula”. Espera aí. Mais uma aula? Depois de seis anos? Isso é mesmo a solução?

…Tá, vamos em frente.

Vamos entender quem está arrasando aqui

O professor — está arrasando. Ele dá as aulas direitinho. Explica gramática. Corrige o dever de casa. Elogia o progresso. Progresso existe — já são seis anos de aulas, isso não é progresso?

Hm. Seis anos — isso é progresso ou processo? Não, não vamos nos distrair.

A plataforma — está arrasando. Videoaulas, testes, flashcards, conquistas. Tudo funciona. A linha verde no gráfico sobe. Que beleza.

O aluno — também está arrasando. Paga. Comparece. Se esforça. Todos estão arrasando.

Resultado não tem.

Peraí… Todos arrasando, e resultado não tem? Como isso funciona?

Ah, entendi. Muito simples: quem disse que resultado é o objetivo?

Matemática para iniciantes

Para falar inglês, são necessárias 600 horas de prática. Não fui eu que inventei — foram cientistas “britânicos” que calcularam.

Uma aula por semana = 50 horas por ano. Dessas, metade é gramática e “how was your weekend”. Total: 25 horas de prática por ano.

600 dividido por 25 é igual a… peraí, peraí… vinte e quatro anos.

Vinte e quatro anos?! Como assim???

Calma. Vamos olhar por outro ângulo.

Vinte e quatro anos de renda estável para o professor. Vinte e quatro anos de renovação de assinatura para a plataforma. Vinte e quatro anos de sensação de “estou trabalhando em mim mesmo” para o cliente.

Ah. Agora ficou claro.

Todos felizes. O sistema funciona perfeitamente. Isso não é um bug. É uma feature.

Agora sobre as medalhinhas

No aplicativo tem uma sequência. 400 dias seguidos. Quatrocentos. Dias. Seguidos.

Isso é legal, né? É legal. Disciplina. Força de vontade. Caráter.

Na entrevista para uma empresa internacional: “Could you tell us about yourself?”

Na cabeça: “I am… ééé… eu sou… working… como é que fala…”

Espera. 400 dias — e “como é que fala”?

Pois é. Mas a sequência não foi quebrada. Isso significa alguma coisa?

Significa que o aplicativo foi muito bem projetado.

…Caramba. Isso foi pesado. Mas justo.

O segredo que todo mundo sabe (mas não conta)

Pessoas que realmente aprenderam o idioma faziam coisas estranhas. Assistiam séries sem legenda até começarem a entender. Colocavam o celular em inglês. Conversavam consigo mesmas no elevador.

Peraí, conversavam consigo mesmas? Isso é estranho.

É estranho. Mas funciona.

E “uma hora às terças com o professor”?

Não é estranho. Mas não funciona.

Escolha.

Quem é o culpado

Então, vamos descobrir. Alguém tem que ser culpado, né?

O professor? Ele vende horas — ele vendeu. Trabalhou honestamente.

A plataforma? Ela só cobra comissão — nada pessoal.

O aplicativo? Ele vende assinatura — aqui estão as medalhinhas, aqui está a sequência, tudo conforme o contrato.

Então quem?

Ninguém.

Espera. Não tem resultado, e ninguém é culpado? Isso acontece?

Acontece. Isso se chama “marketing bem feito”.

E o “fale fluente em 3 meses” na landing page — é o quê então?

É um sonho. O marketing tem direito de sonhar.

No contrato está escrito “prestação de serviços educacionais”. Os serviços foram prestados. Todos liberados.

A parte mais interessante

Eis o que é realmente bonito nesse sistema.

A pessoa paga — e sente que está trabalhando em si mesma.

Estuda — e sente progresso.

Vê a linha verde — e sabe que não é em vão.

A ansiedade passa. A consciência está tranquila. A caixinha “autodesenvolvimento” está marcada.

Espera. Quer dizer que as pessoas pagam não pelo resultado, mas pela sensação de resultado?

Exatamente.

Isso é… isso é triste?

Não. Isso é um modelo de negócio. Um modelo de negócio muito bom.

Final

E como isso tudo acaba?

Não acaba. É aí que está a sacada.

O professor vai escrever: “Como foi a viagem? Vai contar na aula?”

Na aula, o tema será “Viagens”. Palavras novas: airport, luggage, delayed flight.

Daqui a um ano — de novo o aeroporto. De novo a mala perdida. De novo “my luggage is… como é que era…”

Mas o nível já é B1+. Quase B2. O progresso é evidente.

O sistema funciona?

O sistema funciona.

A assinatura é renovada.

Алексей Фадеев
Алексей Фадеев Редактор