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Como qualquer método vira 'método exclusivo do autor'

Admita. Pelo menos para si mesmo.

Você já comprou um curso com a etiqueta “método exclusivo do autor”. Talvez mais de um. Você se interessou: não é uma abordagem qualquer — é exclusiva. Significa que a pessoa inventou. Criou. Sofreu para desenvolver.

E aí você abriu os materiais e viu… algo familiar. Muito familiar. Suspeitosamente familiar.

Mas é exclusivo, né?

A magia de uma palavra

“Método exclusivo” — é uma droga de marketing. Uma expressão que transforma banalidade em algo premium. A técnica de planejamento intervalado com sessões curtas de trabalho e pausas regulares — vira “Sistema de Foco Profundo pelo Método de Helena Silveira”. Um diário de gratidão comum — vira “Prática Transformacional de Consciência™”.

E a gente compra. De novo e de novo.

Por quê? Porque “exclusivo” promete: isso é diferente. Não é o que você já tentou e largou. Não são aquelas dicas de artigos gratuitos que não funcionaram. Não. Isso é — um segredo. O caminho pessoal de alguém que descobriu a fórmula.

E olha que a gente já viu isso: técnicas renomeadas, ideias reembaladas, conceitos alheios requentados. Mas toda vez a gente espera que dessa vez — é real.

Tá sentindo como funciona?

Anatomia do “exclusivo”

A receita é simples de dar vergonha.

Pega qualquer método que funciona. De preferência antigo — assim tem menos chance de reconhecerem. Muda a terminologia: “hábitos” viram “rituais”, “metas” viram “intenções”, “lista de tarefas” vira “fluxo de atividades”.

Adiciona uma história pessoal: “Eu mesma era uma mãe esgotada em licença-maternidade, até que descobri…” Embala num visual bonito. Coloca seu nome.

Pronto. Método exclusivo do autor.

Psicólogos, coaches, especialistas em produtividade — todo mundo faz a mesma coisa. GTD vira “sistema de fluxo”. Metas SMART viram “roda da realização”. Terapia cognitivo-comportamental vira “método autoral de trabalho com a mente”.

E formalmente — não tem como reclamar. Porque algo mudou mesmo. Uma palavra. Duas. A ordem dos passos. A cor do diagrama.

Por que isso funciona (com a gente)

O chato é: a gente não é burro. A gente sabe que a roda já foi inventada. Que em gestão de tempo, meditação, aprendizado de idiomas já foi dito tudo mil vezes.

Mas a gente quer acreditar no segredo.

Porque se não tem segredo — então o quê? Então o problema somos nós. Então a técnica de planejamento intervalado não funcionou não porque “não era a certa”, mas porque a gente largou no terceiro dia. Então o diário de gratidão não mudou a vida não porque era “primitivo”, mas porque a gente preencheu por uma semana e esqueceu.

“Método exclusivo” — é a esperança de que existe um jeito certo. Aquele. O que serve exatamente pra mim. E quando eu encontrar — tudo vai dar certo.

Spoiler: não existe.

Ou, melhor dizendo: todos os métodos que funcionam funcionam mais ou menos igual. A diferença está em quem usa. E por quanto tempo.

Mas espera. Será que é tudo enganação?

Não. Nem tudo.

Existem abordagens realmente novas. Existem pessoas que falam honestamente: “Eu juntei o melhor de várias fontes e adaptei”. Existem cursos onde “exclusivo” não significa “eu inventei”, mas “eu assumo a responsabilidade pelo que ensino”.

O problema não é a palavra. O problema é a inflação.

Quando todo mundo chama seu método reembalado de exclusivo — a palavra perde o sentido. Quando “abordagem única” é de todo mundo — ninguém é único.

E nós, os compradores, ficamos com a eterna pergunta: isso é realmente algo novo ou mais uma técnica conhecida em embalagem bonita?

Como identificar?

Teste simples.

Pergunte ao autor: “Em que se baseia seu método?” Se a resposta for “me baseei em X, Y e Z e adicionei minha própria experiência” — isso geralmente indica transparência na abordagem.

Pessoas que realmente entendem do assunto sabem de onde veio cada coisa. E não têm vergonha de dizer.

Já quem esconde as fontes atrás da palavra “exclusivo”, geralmente não esconde à toa.

E por último

Da próxima vez que você vir “método exclusivo do autor” — se pergunte.

Você está comprando resultado? Ou está comprando a esperança de que essa bicicleta finalmente vai andar sozinha?

Porque bicicletas não andam sozinhas. Nem as exclusivas, nem as comuns.

Pedalar ainda é com você.

Алексей Фадеев
Алексей Фадеев Редактор