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Por que repetir palavras em casa funciona melhor que cursos

Aplicativo gratuito com flashcards contra assinatura anual de escola online. A matemática que não mostram nas landing pages.

Existe um fato constrangedor sobre o qual não se costuma falar na indústria do ensino de idiomas. Uma pessoa que todo dia passa quinze minutos repetindo palavras, por exemplo, com um treinador de áudio no nosso site, em um ano ultrapassa quem paga por cursos.

Não porque o aplicativo é mágico. Mas porque quinze minutos todo dia são 90 horas por ano. E cursos uma vez por semana são 50. A matemática é simples. O resultado, previsível.

Mas por algum motivo isso não aparece nas landing pages das escolas online.

O que os cursos vendem

Os cursos vendem metodologia. Sistema. Professor com certificado.

E aí a pessoa com flashcards de áudio conversa tranquilamente e lê o menu em Barcelona, enquanto a pessoa com cursos aponta o dedo e diz “this one”.

Como a memória funciona

A memória funciona de um jeito inconveniente para o modelo de negócio das escolas de idiomas.

Para uma palavra fixar na cabeça, você precisa encontrá-la várias vezes. Com intervalos. Hoje — amanhã — daqui a três dias — daqui a uma semana — daqui a um mês. Isso se chama repetição espaçada, e funciona independentemente de a pessoa pagar por isso ou não.

Nos cursos, a palavra aparece na aula, é trabalhada uma vez, e vai embora. Uma semana depois — nova aula, novas palavras. As antigas ninguém lembra. Elas desaparecem silenciosamente da memória em algum lugar entre a segunda e a terceira aula.

Delegação de responsabilidade

Os cursos dão a sensação de que alguém competente está cuidando do seu idioma. Tem programa. Tem professor. Tem estrutura. Dá para relaxar e seguir o plano.

Repetir palavras em casa é responsabilidade. Só o celular com o aplicativo e a escolha: abrir ou não abrir.

A maioria escolhe não abrir. E depois se matricula em cursos, porque “sozinho não dá, preciso de sistema”.

O sistema ajuda, claro. Só que não com aquilo que a gente gostaria de pensar.

A curva do esquecimento vence

Existem pesquisas que mostram o óbvio: a frequência de contato com o material importa mais que a qualidade de uma aula isolada.

Quinze minutos todo dia é melhor que uma hora por semana. Não porque os minutos são mágicos. Mas porque o cérebro esquece, e o único jeito de lidar com isso é repetir antes de esquecer.

Curso uma vez por semana é uma luta contra a curva do esquecimento na qual a curva vence.

Mas na landing page não dá para escrever: “Nosso curso só vai funcionar se você estudar por conta própria todo dia também”. Isso não vende muito bem.

A ilusão da complexidade

Uma história à parte é a ilusão da complexidade.

Parece que idioma é gramática, tempos verbais, estruturas, regras. Que precisa de um especialista para explicar a diferença entre Present Perfect e Simple Past. Que sem isso não dá.

Na prática, a maioria das situações de conversa é coberta por um vocabulário de 2.000 a 3.000 palavras e estruturas básicas. Dá para não entender o Present Perfect completamente e ainda assim se comunicar. Nativos também nem sempre conseguem explicar por que falam de um jeito e não de outro.

Mas “aprenda 3.000 palavras e comece a falar” não é algo pelo qual as pessoas querem pagar. Já “metodologia exclusiva de imersão com nativo” — aí é outra história.

Vocabulário contra gramática

Vocabulário é a fundação. Sem ele, qualquer gramática é inútil. Dá para saber todos os tempos verbais perfeitamente, mas se tem duzentas palavras na cabeça — não tem sobre o que falar.

Com três mil palavras e gramática básica dá para transmitir o sentido em qualquer situação.

Os cursos geralmente focam em gramática, porque é conveniente de ensinar. Tem regras, tem exercícios, tem o que corrigir. Vocabulário é coisa individual, difícil de empacotar numa aula.

Por isso as pessoas passam anos em cursos, gastam milhares de reais, sabem todos os tempos verbais, mas não conseguem lembrar, digamos, como se diz “garfo”.

Em vez de resultado

Cursos são um jeito caro de comprar a sensação de que “estou estudando idiomas”. Não para aprender. Para não sofrer com o pensamento de que não está fazendo nada.

A indústria vende ilusão: de estrutura, de controle, de progresso.

Resultado não está incluído no pacote.

Алексей Фадеев
Алексей Фадеев Редактор